Cruzando o Atlântico de avião (imigração e conexões na Europa)

Por Mayara Rosa & Neuton - junho 15, 2017

Oi pessoal! Neste post vamos contar como foi a experiência de viajar para a Europa pela primeira vez. Este foi nosso voo mais longo até hoje, então temos alguns aprendizados que podem ser úteis para você também. Além disso também falaremos do que dá pra fazer no primeiro dia, que no nosso caso foi em Paris.

Voo 1: Brasília - Lisboa

Sabendo que a parada foi em Lisboa, você já deve imaginar que fomos pela TAP, os transportes aéreos "purtuguesis". Demos sorte de ter voo direto para a Europa, não ir para São Paulo foi muito bom para variar. Aí vai uma dica importante, mesmo que tenha que ir para outro estado fazer a conexão na ida ou na volta, dê preferência a comprar o voo internacional saindo de sua cidade. Por 2 motivos principais: 
1- a logística de horários, se é a mesma companhia, ela tem que garantir que vai dar certo a conexão.
2 - as bagagens, voos internacionais permitem bagagens de até 32kg, já os voos nacionais permitem apenas 23kg. Se você for pegar um nacional, tem que obedecer esse limite. Além disso, saindo internacional, a mala vai direto para o destino final, isso facilita muito.

O nosso voo saía às 17h, é um horário gostoso para viagens longas, fim de tarde, o corpo já está mais relaxado. Fomos na econômica, o triste é que fazem você passar pela 1ª classe e a executiva antes (e ficar igual cachorro no forno de frango). Eles te dão um travesseiro e uma cobertinha. O bom é que no avião as poltronas eram na formação 2 - 4 - 2. Então pudemos ficar os dois sozinhos, o que facilita para levantar e ir ao banheiro.

Pensávamos que ia rolar um Super Mario, mas nesse avião não tinha nenhum joguinho, só o controle :( 
Seriam 9h de voo, estávamos confiantes que dormiríamos, mas não contávamos com os "Amigos do Tom" (sim, colocamos o nome porque se alguém os conhecer avise que eles foram os culpados por nossa agonia kkk). Era um time de futebol amador que resolveu transformar o avião em um buteco, conversando e rindo alto em uma rodinha, mesmo quando a luz apagou. A comissária tentou fazê-los sentar diversas vezes, mas sem sucesso.
Ao fundo os "amigos do Tom" em sua animada conversa. As chances de dormir caíram exponencialmente. 
Pelo menos a comida da TAP estava gostosa, conseguimos nos distrair um pouco comendo. A equipe também é bastante simpática. Para quem for de BSB para Europa, TAP é o esquema.
Já que não deu pra dormir, o Neuton resolveu olhar a vista, e se surpreendeu com a quantidade de estrelas sobre o oceano, é muito bacana.

Conexão e Imigração em Lisboa

Finalmente chegamos em Portugal, ao descer do avião em Lisboa, já demos de cara com a E-N-O-R-M-E fila da imigração. Pensamos, não é possível, não são nem 6 da manhã, de onde surgiu tanta gente? Não tem como terem saído do nosso avião. Foi nessa hora que vimos uma placa, "PASSAPORTE ELETRÔNICO", ela dava para outra área, praticamente vazia, tchau bobões da fila! Vimos algumas pessoas passando, como nosso passaporte brasileiro possui o chip, fomos tentar. Tinha uma senhora portuguesa com dificuldades, ensinamos a ela como colocar o passaporte na leitora e ela passou tranquila. Chegou nossa vez, nada. Foi aí que percebemos, ali era só para cidadãos da união europeia kkk. Morremos de rir, ajudamos a senhora a passar e tivemos que voltar amassando o chapeuzinho para a fila do subdesenvolvimento, que a essa altura já tinha crescido mais.
Sim, era essa gigantesca fila, não tem escapatória.
Logo na entrada da fila havia uma placa "A partir deste ponto: 1h30". O que podemos dizer é que, infelizmente, a placa não mentiu, depois de um longo voo, você ainda tem que estar preparado para ficar 1h30 em pé. Então outra dica importante: leve o mínimo possível de bagagem de mão. O legal é que havia mais placa dessas. A cada 30min de fila aparecia outra, até que finalmente chegamos a cabine de imigração. A agente apenas nos perguntou: são do Brasil? Aprovado.

Você pode imaginar que as pessoas que tiverem conexões apertadas não conseguirão vencer essa fila gigantesca, nesse caso os funcionários da empresa as passam na frente para que não percam o voo. 

Voo 2: Lisboa - Paris

Nesse voo tivemos o primeiro contato com o "perfume" francês. Ficamos atrás de umas garotas que pareciam estar vindo direto de uma balada. Uma delas estava muuito perfumada. Era uma coisa que parecia te abraçar. Eu tenho sensibilidade para esses cheiros, então o voo, para mim, foi bem longo. Tive que ir com o nariz tapado até o final :(

Finalmente chegamos ao aeroporto Orly, com direito a vista da Torre Eiffel (é muito legal, a cidade toda plana e ela ali pequenininha parecendo um chaveirinho, infelizmente não deu para tirar fotos, como o aeroporto é afastado, achávamos que não veríamos e fomos surpreendidos). Achamos que na França haveria outra conferência, mas não, foi só isso, aquele "cara-crachá" em Portugal. Caímos direto na área de retirada de bagagem.

O cuidado com as malas é o mesmo rs. Meu chaveirinho de piña não chegou inteiro para nenhuma foto (e ainda cortou o dedo do Neuton).
Foi aí que começaram as aventuras, para pegar as malas o Neuton quase foi derrubado por uma mulher que estacionou o carrinho silenciosamente atrás dele rs, e foi ajudar uma senhora a pegar uma mala que ela depois descobre não ser a dela kk. Mas, finalmente, pegamos nossa bagagem e saímos dali. 

Apesar do extenso planejamento (vide post anterior), não nos atentamos para o deslocamento do aeroporto. Fomos nos arriscar de cara no transporte público (spoiler alert: não foi uma boa ideia).

Do aeroporto Orly ao hotel de transporte público

Mapa do metrô, RER e trens de Paris.
Estávamos ainda sem internet, e ao ver o tamanho desse mapa, sabíamos que sem ela não teríamos a menor chance. Então, fomos em busca de um chip. Não sei se foi o melhor negócio, mas pagamos 25 euros por um chip da SFR de 2GB de internet, que infelizmente só funcionava em Paris. Compramos na loja Relay, primeira interação com o francês concluída com sucesso (dica: eles não falam chip, falam SIM).

Conectados, traçamos a rota no Google Maps, teríamos que pegar o RER, que é uma espécie de rede expressa, com trens passando sobre a superfície. 
Pedaço da rota no Google Maps.
Porta de entrada para o RER, dentro do aeroporto.
Pegamos esse primeiro trem, e chegamos na Gare du Nord, que é uma das maiores estações de Paris, o baque foi grande. Pessoas de todos os cantos do mundo, de tudo que é jeito, até um homem com o rosto todo tatuado. Com todas as notícias que a gente vê sobre o terrorismo, os nervos ficam exaltados, desconfiávamos até da própria sombra, e caímos direto no olho do furacão, cheios de malas pesadas, isso porque eram as médias, e ainda teve uma hora que ficou entalada em uma das passagens kkk.

Então, a dica é, se estiver leve e disposto, dá pra ir tranquilo de trem/metrô. Caso contrário, o melhor é pegar um Uber ou táxi.

Image result for new orient hotel
Hotel New Orient, nossa estadia.
Finalmente, conseguimos sair do claustrofóbico metrô de paris e chegamos ao hotel! Nos surpreendemos com a ausência de formulário de check-in. Apenas entramos, falamos o sobrenome e o cara simplesmente entrega a chave. Ficamos ali meio parados, esperando que ele pedisse algum documento, nada. Muito legal!

Outra curiosidade desse hotel. Ele tinha um elevador, mas os botões eram: 1/2, 2/3 e 3/4. Estávamos no 3º andar, então arriscarmos apertar o 2/3. Surpresa: o elevador para no meio da escada kkk. Ou seja, pegamos aquelas malas pesadas e saímos do elevador para ainda subir meio lance. Chegamos no quarto, e é aquele padrão francês, um cubículo. 

Almoço e passeio nas Galerias Lafayette

Perguntamos na recepção qual era o lugar bom para almoçar por ali. Ele nos indicou a Place de Clichy, que tem várias opções. Fomos andando do hotel, e aí sim começamos a nos impressionar com a cidade, mesmo os prédios mais simples são super detalhados. Parecia que estávamos andando em meio a um set de filme. E a cada esquina, pode ter algum monumento, alguma coisa incrível.

O almoço foi no Le Bistro Melrose, chegamos em cima da hora para o fim do menu fechado, por 17 euros a entrada e o prato principal. Em vários restaurantes tem esse esquema, você pode pedir entrada + prato principal  ou prato principal + sobremesa. 


A entrada (foto 1) foi uma espécie de sopa com azeitonas e um ovo pochê (estava bom). De prato principal eu pedi um pato (não gostei, achei forte, mas parecia estar bem feito) e o Neuton foi no peixe com legumes e gostou bastante. Pra finalizar um café para matar o sono que já batia forte, mas não podíamos dormir no meio da tarde.

Fomos andando até as Galerias Lafayete, o famoso centro de compras. Queríamos comprar os casacos superleves na Uniqlo (mas estava fechada, era domingo, voltamos em outro dia). Então só olhamos, porque a maioria das lojas ali é do mercado de luxo. Mas não é preciso gastar, realmente, só a arquitetura do lugar já vale a pena a visita!
Vista dos balcões e do teto da Galeria principal.
Detalhe da cúpula da Galeria.
Além disso tem um terraço que é aberto ao público, e a vista é lindíssima, não deixe de visitar!! A foto que abre o post é de lá. Dali se pode ver a torre e várias outros pontos da cidade.
Com a cara de sono, mas muito feliz, estávamos em Paris!
Para finalizar, comemos em uma das lanchonetes de lá. Pedimos um muffin (super macio e delicioso, vimos que por aqui nunca tínhamos comido um decente rs) e dois chocolates quentes (também deliciosos, cheinhos de creme, também bastante diferentes dos do Brasil).
O primeiro chocolat chaud a gente não esquece.
Depois disso voltamos andando para o hotel, e fomos surpreendidos por uma chuvarada. Estávamos despreparados, acabamos nos molhando (lá se foi minha escova no dia 1 buáa). Ainda quis salvar alguma coisa e pedimos um Uber apenas para descer uma reta kkk.

Fim do dia 1, dormimos cedo pois no próximo dia iríamos sair para o Vale do Loire (próximo post).

"Paris é sempre uma boa ideia". Obrigado por viajar conosco!

 Dica bônus #1  Tivemos a vista da Torre Eiffel no nosso lado do avião. Ficamos do lado esquerdo. Quer saber qual é o lado para ter a melhor vista em qualquer voo? Visite o site http://www.scapeside.com/.

 Dica bônus #2  Durante o voo, utilizamos meias de compressão, ajudou muito, não chegamos com os pés inchados. Compramos na Lupo.

 Dica bônus #3  Uma boa dica é utilizar o Netflix Offline, você pode baixar episódios da sua série favorita e ir assistindo no voo. Caso esteja em casal, recomendamos comprar um adaptador de duas saídas para o fone.

 Dica bônus #4  A TAP, outras companhias podem ter algo parecido, faz um leilão de upgrade para a classe executiva. Um pouco antes do seu voo, você pode tentar dar um lance para sair da classe econômica. Caso dê sorte de achar um voo com lances baixos, pode ser a chance de subir na vida kkk. Não demos essa sorte, o valor estava em quase mil reais. Mas uma amiga já disse ter conseguido por 100 dólares.

 Dica bônus #5  Sabíamos que depois de uma viagem dessa chegaríamos apenas o trapo humano, então não reservamos nada de muito especial para fazer no dia da chegada. Isso foi acertadíssimo! Assim como é essencial não cair na tentação de dormir fora do horário. No outro dia estávamos bem.

  • Compartilhe:

Veja também

0 comentários